PartoCesariana 4

atualizado em 13/07/2005

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A cesariana tem recebido muitas críticas.Fala-se de seu alto índice e do hábito, cada vez menos generalizado, de seesperar pelo curso natural de um parto. No entanto, o que se critica não é ométodo em si. Esse, na verdade, tem salvado muitas vidas. O que importa éconhecer bem seus prós e contras, seus verdadeiros riscos e suas indicações.

Oíndice de cesariana no Brasil é um dos mais altos do mundo. Esse fato ésuficiente para justificar uma onda de críticas que a cesárea tem recebido detodos os lados. Muitas vezes, ela é feita arbitrariamente ao sabor apenas dapressa do obstetra e da ansiedade da parturiente que não conseguem esperarpelo curso natural de um parto. Mas é preciso evitar uma certa confusão: o quese critica não é o método em si, mas seu uso indiscriminado. Na verdade, acesariana tem salvado muitas vidas. Antigamente, um bebê que estivesse numaposição fora do convencional estava seriamente ameaçado de morte. Hoje, esse eoutros problemas podem ser contornados através da cesariana e outros recursos.O ponto chave da questão é distinguir quando ela é realmente indicada, quaissão seus riscos e vantagens. As indicações da cesariana - A princípio, acesariana é indicada para todos os casos em que o parto normal represente umrisco para o bebê ou para a mãe:- Desproporção entre a cabeça do bebê e a bacia materna: neste caso, o bebênão terá passagem para sair pela via vaginal. Estão incluídos aí também oscasos em que a mulher tem uma bacia anômala, embora larga, tornando muitodifícil o trabalho de expulsão.- Problemas uterinos - O mais comum é o mioma. Se ele estiver na

frente do bebê, há um bloqueio total à sua passagem.- Problemas clínicos da mãe - Um exemplo clássico é o da mulher cardíaca semcondições de enfrentar o esforço do trabalho de parto, a não ser correndosérios riscos.- Posições da placenta - Muito baixa, a placenta pode impedir a saída do bebê.- Envelhecimento da placenta - Quando a placenta amadurece antes do tempo,fica sem condições de funcionar adequadamente na hora do parto, deixando delevar para o bebê todos os nutrientes de que ele necessita para suasobrevivência.- Sofrimento fetal- Esse problema é conseqüência do anterior. Se a placentanão está funcionando bem, o bebê passa a receber menos oxigênio e menosnutrientes do organismo materno. Ele fica fraco, não se desenvolve bem e entraem sofrimento. É preferível trazê-lo para o mundo externo onde terá melhorescondições de vida.- Posição inadequada do bebê - Se o feto está sentado ou transverso, não valea pena arriscar um parto pela via vaginal. Mãe e filho podem sofrer sériaslesões na hora da expulsão.- Cesarianas anteriores - Se a mulher já se submeteu a duas cesarianasanteriormente, evita-se deixá-la entrar em trabalho de parto, pois há o riscodo rompimento do útero.

Muitas vezes, a indicação se define durante o trabalho de parto, que é, emúltima instância, a prova definitiva das reais condições que a criança, tem denascer pelas vias normais.

Em média, o trabalho de parto do primeiro filho dura 12 horas. No segundo,oito horas. Esse tempo vai diminuindo ainda mais à medida que a mulher temmais filhos. Cada caso é um caso: há partos que começam vagarosamente, mas sedesenvolvem bem a partir de certo momento. Outros, ao contrário, correm bem noinício e complicam depois. Por isso, diz-se que a maioria das indicações decesariana hoje são relativas. Depende da capacidade do médico em avaliarquando é válido esperar e quando é preciso interferir cirurgicamente.Basicamente, o que a cesariana elimina é o trabalho de parto. Ela poupa amulher de um esforço semelhante ao de uma prova atlética, que põe em choquetoda a sua resistência física. E poupa o bebê de uma experiência para a qualele pode não estar preparado. Durante as contrações, os vasos que levam sangue(e conseqüentemente oxigênio e outros nutrientes) para a placenta ficammomentaneamente obstruídos. Nesse período, o bebê é obrigado a viver de suasreservas, como se desse um mergulho a cada contração para se refazer ao final,preparando-se para a próxima. Esse esforço é importante para o amadurecimentode seu organismo como um todo. Mas quando ele já está debilitado, é melhorpoupá-lo disto.

Agressão - É assim que se define o que uma cirurgia representa para oorganismo. E preciso cortar tecidos, invadir cavidades que, normalmente,seriam respeitadas, submeter o paciente ao impacto de uma anestesia.Antigamente, cesariana era sinônimo de complicação séria. Com a invenção dosantibióticos, o principal risco da cesariana foi bastante reduzido. Infecções,só em casos muito raros. E as perdas sanguíneas podem agora ser repostasatravés de técnicas mais eficientes. O corte é pequeno e a cicatriz,geralmente, não impede o uso de um biquíni. Mesmo assim, a cesariana provocasempre um trauma no organismo da mulher, maior que o causado por um partonormal. O abdômen foi cortado, a musculatura foi afastada de seu lugar e acavidade abdominal invadida. Tudo isso provoca acúmulo de gazes, dores, menormovimentação intestinal e uma recuperação pós-parto mais lenta. Outro risco dacesariana é interromper uma gravidez que ainda não chegou a termo. Por isso,quando não se tem certeza da idade da gestação os médicos costumam deixarprimeiro que a mulher entre em trabalho de parto para depois fazer a cirurgia.Hoje, entretanto, essa possibilidade está bem reduzida. A ultra-sonografia écapaz de mostrar os sinais de envelhecimento 'da placenta e de maturidade dobebê. O exame do líquido amniótico pode informar com precisão a idade dagestação. E quando não se pode contar com esses recursos, O exame clínicofornece dados valiosos para essa avaliação. A data da última menstruação, porexemplo, quando é conhecida com certeza, serve perfeitamente como guia.

NAsala de cirurgia, apenas um foco de luz sobre a barriga da mulher; o mínimo debarulho e a presença do pai. Esses são os requisitos básicos para umacesariana humanizada. A mulher recebe uma anestesia peridural e assisteacordada a tudo que se passa. O papai, de gorro e máscara, pode conversar comela e se movimentar à vontade, tomando apenas o cuidado de não tocar noslocais e objetos esterilizados, falar ou tossir perto do campo cirúrgico. Suapresença tem uma especial importância: por mais calma que seja a mamãe, o fatode estar sendo operada sempre a deixa insegura. Não é preciso correria. O bebêpode ser retirado calmamente, com movimentos suaves e sem violência. Nada desuspendê-lo pelas pernas, nem de aplicar-lhe as tradicionais palmadinhas. Tudoque ele precisa agora é de aconchego. Da barriga direto para os braços damamãe, ele receberá todo o carinho de que necessita agora. Deve estar um poucoassustado. Também pudera... A amamentação pode se iniciar aí, se mãe e filhoestiverem dispostos. O cordão umbilical é cortado imediatamente após aretirada do bebê. Com muita suavidade para não perturbar aqueles dois seresque esperaram tanto tempo para se conhecer .

Alguns minutos depois, mais calmo e seguro, o bebê é entregue aoneonatologista para os exames de praxe. Espera-se a saída da placenta e ocorte começa a ser suturado. Tudo terminado, resta uma certeza: a mamãe nãoestá com a incômoda sensação de ter passado por tudo como uma meraespectadora. Ela não só viu seu bebê nascer, como também lhe deu asboas-vindas na chegada ao seu novo mundo.

Mortes recentes de pessoas famosas em acidentes operatórios levaram a maioriade nós a pensar duas vezes antes de se submeter a uma anestesia geral. E,verdade seja dita, esse medo não é totalmente infundado. A anestesia,realmente, tem seus riscos. O organismo precisa fazer um grande esforço parase adequar aos medicamentos usados, tanto que o stress anestésico é um fato: apressão arterial cai, o ritmo cardíaco se altera etc. Todas essas alterações,no entanto, são perfeitamente suportáveis para uma pessoa em boas condições desaúde. O grande fantasma é o choque anafilático. Um acidente raríssimo,segundo dados estatísticos, mas que pode ter conseqüências fatais. Nascesarianas feitas hoje, entretanto, esse acidente está praticamente fora decogitação, pois, geralmente, usa-se a anestesia peridural que não percorre oorganismo todo e tem uma ação menos agressiva. O choque anafilático é umareação alérgica e violenta a um medicamento qualquer. Muitas vezes, ele étambém imprevisível, porque não existem testes de sensibilização para todos osmedicamentos. Para que se dê o choque anafilático é preciso haver uma infelize rara coincidência: um alto grau de sensibilização do paciente a um dessesanestésicos que não podem ser testados.

Omecanismo é o seguinte: com a aplicação do anestésico, o organismo começa aproduzir, num ritmo vertiginoso, uma reação imunológica contra para combatero elemento estranho. Forma-se então um edema (inchação) na glote, localpor onde passa o ar que respiramos, impedindo sua passagem. Nesse momento, épreciso agir rápido, oxigenando o paciente para que a falta de oxigênio nocérebro não lhe cause a morte ou lesões irreversíveis. Quando isso é feitologo, são boas as chances de recuperação. Para o bebê, o risco anestésico émenor. Se a anestesia é geral, é preciso retirá-lo rápido antes que omedicamento passe para ele. O que não constitui problema já que a etapa maisrápida da cesariana é a saída do bebê, cinco minutos em média. Se a anestesiaé peridural, a chance de absorção do medicamento é mínima. Caso o anestésicopasse para a criança, ela pode nascer sonolenta. Se estiver completamenteadormecida, o neonatologista entra em cena, aplicando oxigênio para que elarespire. Essa medida é suficiente para ajudá-la a superar o stress anestésicoe reagir normalmente ao nascimento. Seu desenvolvimento não fica comprometidoe, em pouco tempo, ela dará sinais de que está bem.Anterior