E o direito do filho?

Prof. Humberto Leal Vieira - Presidente da PROVIDA FAMÍLIA

Os grupos feministas alegam que ter ou não ter filho, é um direito da mulher, por isso o aborto deve ser legalizado. Ao aceitar o argumento de que a mãe tem o direito de matar seu próprio filho, porque resultante de uma gravidez "indesejada" teremos que aceitar que o filho também tem o direito de matar sua mãe quando indesejada por este. Afinal o filho não escolheu a mãe que tem e os direitos são iguais para todos. Vejam onde iríamos com esse argumento!

A afirmativa segundo a qual está se defendendo um direito da mulher ao legalizar o aborto, é uma farsa, é mentirosa e esconde o verdadeiro objetivo da campanha das ONGs que são pagas por fundações e organismos internacionais para promover, entre nós, o controle de população. Em verdade, são grupos assalariados que prestam serviços a seus patrões interessados em uma nova modalidade de imperialismo em que a vida humana está em jogo. Tiramos essa conclusão ao ler o Relatório Kissinger (NSSM 200) "Implicações do crescimento da população mundial para a segurança e os interesses externos dos Estados Unidos". Nesse relatório está demonstrado o pavor dos países ricos com o crescimento da população nos países do Terceiro Mundo. Os investimentos para o controle populacional somam bilhões de dólares em todo o mundo.

Os projetos e recursos para distribuição de contraceptivos, para esterilização e promoção do aborto são publicados pelo Fundo de População da ONU. Para o Brasil, nesses últimos cinco anos foram investidos 837 milhões de dólares naqueles projetos. Para a legalização da contracepção, da esterilização e do aborto, entre nós, foi criado o Grupo Parlamentar de Estudos de População e Desenvolvimento (GPEPD) e, no âmbito da América Latina, o Grupo Parlamentar Interamericano (GPI). Esse grupo tem entre seus objetivos, segundo publicação do GPI: "Revisar as legislações nacionais a fim de considerar a possibilidade de despenalizar o aborto, tendo em conta o grande número que se realiza à margem da lei e a alta taxa de mortalidade que deles resulta". Para esses grupos parlamentares foram destinados, nestes últimos dois anos: 582.300 dólares e para o "lobby" do aborto no Brasil 634.000 dólares entre outros recursos.

Na grande discussão sobre o aborto, que se deu no dia 25 do corrente mês, no Plenário da Câmara dos Deputados, tive oportunidade de expor, aos presentes, esse dados. Nessa ocasião se apresentaram dirigentes de ONGs como as Católicas pelo Direito de Decidir e outras que defenderam a legalização do aborto e para isso são financiadas por organizações internacionais e fundações estrangeiras.

Agora, o vergonhoso é que brasileiros, e até mesmo certos parlamentares defendam os interesses daqueles países em detrimento de nossa soberania e de nosso crescimento como Nação! Acredito que o Congresso Nacional deveria apurar o destino de tanto recurso investido no Parlamento e nas ONGs para o controle populacional. Essa é uma questão de soberania nacional. Felizmente, sabemos, que é apenas uma minoria de parlamentares que está engajado nesses programas e que a grande maioria desconhece aqueles projetos de controle populacional que representam um neo-colonialismo. Estes grupos já conseguiram legalizar a contracepção e a esterilização e agora tentam legalizar o aborto. Concluindo podemos dizer que a questão do direito ao aborto é um eufemismo que esconde o verdadeiro objetivo de países estrangeiros e organizações internacionais interessados no controle da população brasileira e o enfraquecimento do Brasil, como Nação Soberana.Artigo publicado no jornal Correio Brasiliense em 30/11/1997.