Aborto Espontâneo - Perguntas
atualizado em 29/11/2004Alteraçõesimunológicas
Drauzio - Quaissão as possibilidades de resolver o problema de um casal com alteraçõescromossômicas, uma vez que não se pode mudar a genética?
Mario Burlacchini - A alteração cromossômica é a maiscomplicada de todas. Se o casal tem translocação balanceada, o risco detransmiti-la de forma não balanceada para o feto é de 25%. É um índiceelevado, uma vez que em cada quatro gestações uma apresentará a alteração.
Como não há tratamento que consiga modificar a genética, a única saída épartir para a fertilização assistida com a doação de oócitos ou deespermatozóides, dependendo do lado que venha o problema.
Drauzio - Qual a conduta quando o aborto ocorre poralteração imunológica, ou seja, a mãe elimina o feto porque o reconhece comoum corpo estranho?
Mario Burlacchini - Esse tipo de aborto se chama alo-imune, eo problema deve ser identificado e tratado antes de a mulher engravidar. Agenotipagem, ou seja, a pesquisa genética, mostra se há compatibilidade entremarido e mulher. Quanto maior for a compatibilidade genética, maior o risco deaborto. O ideal é que os dois sejam bastante incompatíveis.
Drauzio - Esse é um conceito muito importante. Vocêpoderia repeti-lo?
Mario Burlacchini - Fazendo a genotipagem, identifica-se ograu de compatibilidade entre o homem e a mulher. Quanto maior o número dealelos compatíveis, maior o risco de abortamento. Alelos incompatíveisdiminuem a possibilidade de abortos.
Drauzio - Exatamente o contrário do que se deseja nostransplantes.
Mario Burlacchini - É exatamente o contrário do que se desejanos transplantes. Em vista disso, o tratamento consiste em sensibilizar a mãecom os antígenos do marido, por meio da infusão de leucócitos paternos antesda gravidez, para que ela crie anticorpos e reconheça o embrião quando forimplantado em seu útero, já que ele carrega características genéticas do pai.Essa é a causa alo-imune da reação antígeno-hospedeiro. A outra causaimunológica de abortamento é a auto-imune, ou seja, a mulher começa a produziranticorpos contra si própria. Não é necessário que um corpo estranho seinstale dentro dela para desencadear a reação. É o caso da chamada síndromeantifosfolípedes.
Existem também as trombofilias, alterações imunológicas muito valorizadasatualmente, e que podem ser tratadas no caso das abortadoras habituais.
![]() | Dr. Mario Burlacchini é médico, especialista em Medicina Fetal, e assistente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital das Clinicas da Universidade de São Paulo. |
